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terça-feira, 13 de novembro de 2012

Solo

Debruça-se no ninho,
vislumbra imensidão.

Sente-se acanhado,
desejando conforto.

Última intervenção,
um último empurrão.

As asas batem,
eles se vão.

Deixo o coadjuvante,
passo a espectador.

Missão cumprida,
ente tão querido.

Parte de mim,
que segue, então.

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Maio

Das noivas faceiras,
pela noite quente.

Das mães inquietas,
por filho decente.

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Dar a luz

Dar a luz é dar a vida,
assim começa uma história.

Já iniciada antes,
na vontade em ser.

Descobre-se fadada,
num epílogo infeliz.

Mudar seu rumo,
como novela inacabada.

Com sofrimento e dor,
as opções por vir.

Uma saída difícil,
que cabe, somente a um.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Amor fabricado

Não existe amor a primeira vista,
muito menos amor eterno.

Todo amor é fabricado,
afirmo com certeza absoluta.

Vem no primeiro instante,
a centelha do despertar.

Chamado da atenção,
para detalhes despercebidos,
do alguém a sua frente.

O interesse depois,
desejo de se saber e,
em querer mais.

Daí o amor fabricado,
construído da centelha,
do crescente desejo.

Assim como fabricado,
pode ser descontruído,
destruído até.

Desatenção da rotina,
acaba por desfazê-lo,
planta que se deixa de regar,
e definha ante ao tempo.

Poucas as variações,
que não se esgotam,
sem este contínuo.

Amizade é uma delas,
amor por um filho outra,
o resto é labuta.

sábado, 31 de março de 2012

Mãe

Eu não sei o que tem uma mulher na cabeça quando decide ser mãe.

Só pode ser uma louca, doida varrida digna de ser internada em um hospício de segurança máxima, numa cela e restringido movimento por uma camisa de força.

Sério! Isso é totalmente insano e eu vou explicar o porque.

Primeiro que já nascer mulher significa carregar um estigma social inerente ao gênero. Depois na chegada a adolescência, mudanças orgâncias e metabólicas a leva a um ciclo radical que só expirará após um longo tempo da sua vida.

Alternâncias de humor, dores e cólicas, farão parte da sua rotina mensal. Ok, isto pode ser atenuado...

Aí ela decide ser mãe, e digo mãe biológica, daquela que pari. Arruma um parceiro para ser fecundada. Uma vez ocorrida a fecundação, noves meses, entre trinta e sete e quarenta e duas semanas, a coisa não é muito certa, vive uma mudança que vai muito além daquela adolescente.

Estimulado pelo pequeno ser que se forma em seu ventre, o organismo desta mãe sofrerá severas alterações que, mesmo após o parto, perpetuarão ao longo do período de amamentação.

O parto, sim o parto, seja ele de que modo for, não é uma coisa fácil não. Riscos para mãe e para o filho estão presentes. Esforço continuo até o nascimento de todos que a assistem.

Do nascimento, vem a celebração de mais uma vida, mas também de uma tensa preocupação sobre o estado desta vida gerada, e isto vale tanto para mãe biológica quanto para aquelas que não passaram pelo parto em si.

Tal preocupação materna, decorrente de um amor incondicional se perpetuará até o fim da sua vida.

O primeiro espirro, tosse, febre... O que comer, o que levar, o que trazer... Onde irão estudar, com quem será que eles estão andando... Aonde voce pensa que vai?

Para uma mãe, não existem limites. Por isso acho que ser mãe é uma loucura e ter a oportunidade de viver toda esta loucura junto a seus filhos, vê-los crescer e se fazerem dignos é, simplesmente, recompensador.

É o lucro líquido por todas as horas de dedicação, carinho, atenção e de amor, muito amor.